Como mentir com estatística

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Você abre o site de algum veículo de mídia e se depara com a matéria:

“Varejista diz que as vendas do e-commerce crescem 400% em meio a crise”.

Incrível não é mesmo?

E que tal algo como “Segmento já é 80% da receita em menos de 6 meses”?

Impressionante.

Porém, nem tudo são flores.

Imagina o seguinte cenário.

Inicialmente a empresa vendia 100 milhões por ano.

Desses 5 milhões eram através do ecommerce, e 95 milhões por meio das lojas físicas.

Agora, quase todas as lojas físicas estão fechadas, e assim, o faturamento delas cai para 5 milhões por ano, e o e-commerce, sobe para 20 milhões.

Tivemos aqui um crescimento de 400%, e o e-commerce que antes era 5% da receita, agora representa 80%.

E qual a pegadinha?

A receita final é de 25 milhões, ou seja, ¼ da receita original, antes de tal transformação.

Apesar da famosa frase “numbers never lie”, ou “os números nunca mentem”, eles contem histórias, que podem omitir informações importantes.

Um outro exemplo bastante interessante desse fenômeno é como a definição de “alto grau de confiança” é flexível.

Em 2011, o então presidente Barack Obama precisava tomar uma decisão.

Ele havia sido informado de que Osama Bin Laden, responsável pelos atentados do 11 de Setembro, havia sido localizado, e que tropas americanas poderiam atacar sua base.

Naquele momento ele havia sido informado por um alto oficial de que eles tinham “um alto grau de certeza” de que se tratava do homem certo naquele local.
Antes de continuarmos pare e pense: o que você define como um “alto grau de certeza”?

Mas voltando à nossa história, então confiante das informações recebidas, o ataque foi ordenado, e Bin Laden morto.

Qual o problema?

Se fossemos colocar em dados numéricos, os oficiais envolvidos em informar o presidente sobre o nível de confiança de que Bin Laden realmente estava no local, divergiam entre si.

Alguns diziam ser 20 ou 30%, outros chegavam a quase 90% de certeza, e no fim, o alto grau de certeza, era algo perto dos 60%.

60%!

Lembra da pergunta que eu fiz antes? Você considera 60% de certeza com um “alto grau”?

No fim, Osama realmente estava naquele esconderijo, e foi morto, porém, até hoje as discussões sobre como a decisão foi tomada, impactam a forma como relatórios de inteligência são feitos no exército americano.

Mas então, qual a reflexão que podemos tirar disso tudo?

De que mais do que números, precisamos de capacidade análitica, e alinhamento de parametros na hora de lidar com dados.

Precisamos buscar uma visão completa, de todas as partes impactadas.

Não basta saber como uma linha do negócio se comportou, mas sim, como o negócio inteiro está se saindo.

Não basta ouvirmos uma expressão vaga e subjetiva como “alto ou baixo grau de certeza”, mas sim, a representação por trás daquelas palavras.

Somente assim, poderemos tomar decisões realmente embasadas em dados.

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