Como controlar a ansiedade: um obstáculo inconveniente

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Considerado um transtorno emocional, ela já atinge mais de 5% da população mundial e, com a pandemia, tornou-se ainda mais presente nas famílias brasileiras. Entenda como ela funciona e como controlar a ansiedade.

Termo utilizado para um conjunto de distúrbios como medo, apreensão, nervosismo e preocupação, a ansiedade atinge hoje pouco mais de 5% da população mundial, cerca de 350 milhões de pessoas, segundo a ONU – Organização das Nações Unidas. No caso do Brasil, é estimado que o transtorno atinja 12 milhões de brasileiros.

Em suma, a ansiedade já era uma doença com presença crescente no cenário global e nacional e, com a pandemia, foi potencializada na sociedade. Segundo Judson Alyn Brewer, psiquiatra, Phd em neurociência e diretor de pesquisa da Brown University, vivemos em uma tempestade perfeita onde não sabemos quem vai ser o próximo a ser contagiado, quão rápida será a contaminação e quanto tempo vamos demorar para solucionar a pandemia, o que traz um cenário especialmente rico em incertezas. Se você é um empresário ou gestor: boom, você possui fatores externos de incerteza ao quadrado.  Por conta disso, o pesquisador aponta que vivemos em um cenário muito propício ao desenvolvimento do transtorno.

Segundo, Sandro Galea, professor e diretor da Faculdade de Saúde Pública de Boston University School: “estamos vivendo uma experiência traumática em larga escala e a ansiedade é parte de uma família de problemas mais amplos relacionados à saúde mental, que muitas vezes são resultados de tais experiências”.

Assim cabe a nós lidarmos de forma consciente com a ansiedade, para tomarmos medidas de controle e minimizar os danos causados por ela.

A ansiedade é contagiante

Segundo Judson Alyn Brewer, a incerteza aciona os centros do medo em nossos cérebros. Saber como esse processo funciona, no entanto, pode nos ajudar a tomar medidas adequadas e desenvolver uma melhor higiene mental.

Primeiro, é importante entender que o medo é um mecanismo humano básico. Isso nos ajuda a sobreviver. Quando algo nos assusta, somos acionados e, por meio do medo, aprendemos a praticar comportamentos que nos ajudarão a evitar esse perigo no futuro. Quando evitamos com sucesso esse perigo, nos sentimos recompensados. Herdamos esse processo mental de três etapas de nossos ancestrais: ver um predador (gatilho), fugir (comportamento), viver para dizer a nossos filhos que evitem aquela parte da floresta (recompensa).

O medo junto à incerteza geram o transtorno ansioso e ele pode ser dissipado de pessoa para pessoa, ao serem reforçados algum desses dois pontos (medo ou insegurança) através da comunicação. Sendo assim, programas de televisão podem ser grandes dissipadores de ansiedade, assim como as redes sociais. Embora muitas pessoas tenham boas intenções e pretendam compartilhar informações úteis, conforme especulam sobre como as coisas podem ficar ruins, elas podem estar inadvertidamente fazendo o oposto. Quanto mais você passa pelas últimas notícias, mais provável é que assuma a preocupação e a espalhe.

O problema é que a ansiedade impede a pessoa de pensar com clareza, já que há um desequilíbrio hormonal no cérebro que faz com que a recaptação de serotonina seja impedida após disparar esses alertas (medo e insegurança) e estes não nos protegem mais dos perigos. Em vez disso, eles se tornam o perigo.

Para isso, existem mecanismos para controlar a ansiedade, assim como hábitos a serem evitados.

Redes sociais e o acionamento da dopamina

Assim como nossa atividade profissional tem acontecido de maneira remota, todas as demais ações cotidianas também têm tido o mesmo caminho, sobretudo as relações com as outras pessoas. O contexto do isolamento tornou ainda maior o uso dos aparelhos eletrônicos e das redes sociais. Mais especificamente, segundo uma pesquisa da Kantar, tivemos um aumento global de 40% no uso de mídias sociais para a população entre 18 e 34 anos e este aumento se reflete nas gerações mais velhas, mesmo que de forma menos acentuada.

Além dos pontos supracitados, referentes à dissipação de notícias negativas, as mídias sociais apresentam um outro ponto nocivo. De acordo com um estudo da Universidade de Harvard, ao utilizar as redes sociais, nosso cérebro libera dopamina, hormônio vinculado ao prazer, similar ao liberado quando fumamos um cigarro, bebemos álcool ou fazemos sexo. Este hormônio é liberado quando recebemos algum tipo de interação, como curtidas, comentários ou compartilhamentos e ele é considerado altamente viciante.

O estudo aponta que ao compartilharmos nossas experiências, esperamos em troca uma recompensa (aprovação externa) e, constrói-se assim um looping gerador de ansiedade, portanto, recomenda-se que o tempo de acesso diário seja limitado, como medida para controlar a ansiedade e, claro, a produtividade.

Os riscos do agravamento da ansiedade

A ansiedade quando não tratada, pode gerar burnout, afastando o indivíduo de sua vida profissional. Com o agravamento de quadro pode se transformar em uma crise de pânico ou pior, se associar a uma depressão.

A OMS – Organização Mundial da Saúde, inclusive, considera que a depressão já é uma epidemia global e com a população brasileira não é diferente, sendo o segundo país das Américas com o maior índice de doentes – cerca de 5,8% da população, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 5,9%.

Sintomas como alteração do apetite, tanto para mais quanto para menos de maneira significativa, insônia ou sono em excesso, dificuldade de concentração no estudo, trabalho ou atividades diárias, problemas digestivos ou mesmo pensamentos negativos fora do comum, podem soar como sinais de alerta e devem ser tradados com prioridade.

Medidas para controlar a ansiedade

Trabalhar em favor de uma higiene mental pode ser uma tática de sobrevivência e com certeza uma possibilidade de aumentar a performance frente às incertezas as quais lidamos nesse momento. Para isso, há alguns possíveis hábitos a serem implementados.

Pratique Mindfulness

Provavelmente você conhece muito bem esta sensação: você chega ao escritório com o dia todo planejado e então, depois do que pareceu ser um breve instante, já está voltando para casa. Nove ou dez horas se passaram, mas você só deu conta de algumas poucas tarefas. Além disso, nem é capaz de lembrar exatamente o que fez o dia inteiro. Se isso lhe soa familiar, não se preocupe: você não está sozinho. Pesquisas demonstram que as pessoas passam cerca de 47% das horas em que estão despertas pensando em algo diferente daquilo que estão fazendo. Em outras palavras, muitos funcionam no piloto automático.

Se você está vivenciando uma experiência de ansiedade, pode ter certeza que o seu grau de presença é baixo. Para contornar esta situação, uma das medidas possíveis é a execução de mindfulness para conquistar mais presença, saindo de uma mente inquieta reativa e, além disso, controlando a ansiedade.

Um estudo realizado pela Brown University, demonstrou que mesmo o simples treinamento de mindfulness baseado em aplicativos que ensinam as pessoas a realizar uma série de exercícios imediatos, controla significativamente a ansiedade. A pesquisa aponta uma redução de 57% nos indicadores de ansiedade clinicamente validadas em médicos estressados. Esse tipo de treinamento também reduz a ansiedade em pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Comece o seu dia de maneira correta

Pesquisas mostram que o ser humano é mais propenso a liberar maiores cargas de cortisol (hormônio do estresse) logo depois de acordar. Portanto, iniciar o dia de forma consciente e menos acelerada proverá um maior equilíbrio para a mente. Basicamente, dependendo da mensagem que você enviar para o seu cérebro assim que acordar, determinará se serão jogadas grandes quantidades de cortisol na sua corrente sanguínea ou não.

Para isso, crie uma rotina tranquila e off-line na primeira hora do dia. Não quer que seja tranquila? Ok, tá liberado para encaixar atividades físicas pela manhã.

Exercite-se

Uma pessoa com a mente equilibrada é capaz de encarar desafios, mudanças bruscas na rotina e a encontrar soluções muito mais rápido do que uma pessoa com a saúde mental debilitada.

Uma rotina de atividade física, além de manter a saúde do corpo, melhora a capacidade cognitiva. Ter entre as atividades diárias as que coloquem o corpo em movimento ajudam a controlar a regulação hormonal, naturalmente impactando no seu equilíbrio emocional, segundo paper publicado no Journal of Sport and Health Science. Assim, atividade física recorrente, faz parte dos hábitos sugeridos para controlar a ansiedade, fora diversos outros benefícios.

Converse com outras pessoas

Embora o período de pandemia exija uma vida social bem restrita, não se isole por completo. Mesmo que o isolamento físico seja necessário, há alternativas que a tecnologia nos faz aproximar de quem queremos bem.

Faça chamadas de vídeos com os amigos e, se possível, reúna alguns em uma única chamada, de forma a trazer maior interação e momentos de trocas. Essa possibilidade pode encurtar distâncias e acalentar a mente para controlar a ansiedade. Lembrando que isolar-se em angústia pode ser o pior caminho para pessoas em casos mais graves.

Peça ajuda

Muitas pessoas sofrem em sozinhas e em silêncio. Se esse for o seu caso, não hesite e peça ajuda. Você não só pode como deve procurar por ajuda profissional. Os medicamentos psiquiátricos em união com a terapia, são de extrema importância e te ajudarão a encontrar um equilíbrio maior.

E o que eu, gestor, posso fazer?

Sim, falamos muito de como agir nesse processo de autodescoberta em relação à ansiedade. Mas há certas atitudes que o gestor também pode tomar para ajudar seus colaboradores a controlar a ansiedade. Ao analisar a conjuntura de sua empresa, junto de seus sócios pode-se criar iniciativas que contemplem a melhoria da qualidade de vida dos profissionais. Vamos listar aqui algumas delas:

Atividades físicas

Já foi exposto neste artigo, que as atividades físicas trazem grandes benefícios tanto para o corpo como para a mente. Assim, disponibilizar cartões aceitos em academias (como o Gympass) pode ser uma iniciativa diferenciada de wellness. Aliás, ter saúde é muito mais do que “não estar doente”, uma equipe saudável pode entregar mais.

 Feedback

Manter um canal ativo para elogios e feedback é importante. Envie mensagens perguntando sobre a saúde mental de seus funcionários e mantenha o diálogo. Crie um ambiente confortável para que possam se abrir, a comunicação interna precisa ser saudável.

Além disso, existe a possibilidade da promoção de eventos para a socialização e incentivo de amizades dentro da empresa.

Mesmo dentro da pandemia, é possível manter uma troca sincera entre as pessoas. Happy hours online uma vez por semana, cafés ou one on ones são formas de sistematizar um sistema de comunicação contínua e sempre manter seu time ativo e entretido.

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