Fadiga do Zoom: como minimizar seus efeitos

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Termo criado nos Estados Unidos, o Zoom Fatigue, ou fadiga do Zoom – nada mais é do que características de extremo cansaço causadas pelo uso excessivo de chamadas de vídeo, cada vez mais comuns nesse período de pandemia.

No último ano, nossas vidas sofreram mudanças bastante significativas, sobretudo em relação ao trabalho. Atualmente, o home office faz parte de 43% das empresas brasileiras e a expectativa é que mesmo após o período de pandemia esse número se mantenha elevado, segundo estudos da FIA – Fundação Instituto de Administração.

Esse novo formato causou estresse e desequilíbrio para muitos colaboradores por diversos motivos, como o desgaste gerado pela mudança abrupta na rotina. Também por unir ambiente de trabalho com a presença da família e muitas vezes filhos pequenos. E, além disso, pela falta de horas de trabalho delimitadas, tornando trabalho e vida pessoal, algo mais mistura. Por conta disso, como apontado por uma pesquisa da Harvard Business School e da Universidade de Nova York com 3,1 milhões de pessoas, a jornada de trabalho diária ficou em média 48 minutos mais longa.

Tal como estes elementos, um outro fator também impactou no desequilíbrio dos funcionários: o número de reuniões através de videochamadas em ferramentas como Zoom, Google Hangouts e Skype. Para muitos, a prática acontece muitas vezes ao longo da jornada diária e esse processo tem resultado em uma onda denominada como Fadiga do Zoom, nome que remete a uma das principais plataformas de reunião online.

Ao que tudo indica, os programas disponíveis para videochamadas vieram para ficar. Se de um lado eles facilitam a interação, por outro, o excesso de uso tem causado transtornos negativos e nocivos à saúde.

Segundo um estudo da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) realizado entre agosto e novembro de 2020, ocorreu uma elevação das queixas de pacientes sobre o excesso de trabalho por videoconferências nos últimos meses, representando reclamações direcionada a este assunto presenciadas por 56,1% dos psiquiatras.

De acordo com Jeremy Bailenson, psicólogo de Stanford e criador do termo “Fatiga do Zoom”, o fenômeno é ocasionado por quatro principais motivos: esgotamento visual causado pelo uso em excesso de telas a curta distância, visualização da própria imagem, dificuldades de compreensão pela falta da comunicação não verbal e mobilidade reduzida.

Fadiga do Zoom, como minimizá-la?

As videochamadas nos obrigam a uma maior atenção no momento de tela e isso tem trazido alguns desconfortos. A necessidade de estar mais próximo à tela, olhando para uma câmera a 30 / 50 centímetros do seu rosto, já gera um esforço extra por si só.

A insegurança gerada pela autoimagem, também é um dos aspectos que fomenta a fadiga do zoom, segundo o psicólogo de Stanford, já que quando nos vemos refletidos nas conversas, nos preocupamos com nossas reações faciais e postura, o que causa desgastes emocionais e energia extra.

Outro ponto, é que é natural do humano usarmos uma variedade de ações sincronizadas para nos comunicar, como gestos e movimentos, e intuitivamente contamos com respostas precisas dos outros para saber se estamos sendo compreendidos. Sendo assim, se há uma instabilidade na videochamada, mesmo que quase imperceptível ou não conseguimos coletar devidamente a reação dos outros participantes – lembrando que a interação por vídeo é mais pobre de inputs do que a presencial) –  o nosso cérebro instintivamente percebe isso como um problema e tenta reverter a situação. Logo, essa falta de sincronia, gera um esforço adicional na jornada de trabalho.

Um exemplo a ser dado é o comportamento registrado em uma pesquisa de 2019, citada por Jeremy Bailenson. O estudo comparou a interação face a face com reuniões virtuais e concluiu que as pessoas falavam 15% mais alto em videoconferências. Uma compensação quase que inconsciente executada pela maior parte dos profissionais.

Mas então, o que pode ser feito de cunho prático para reduzirmos a fadiga do zoom?

Evite realizar multitarefas       

É comum enquanto estamos em um call utilizarmos a tela para outras atividades simultâneas. Seja verificar mensagens no celular ou mesmo acessar a outras abas no notebook.

Um estudo realizado em Stanford verificou que realizar várias tarefas ao mesmo tempo, diminui em 40% a produtividade de quem o faz em detrimento daqueles que se dedicam exclusivamente a executar uma única tarefa por vez.

Portanto, é compreensível e tentador fazer outras coisas enquanto toda a sua vida (planilhas, contas a pagar, sites favoritos e redes sociais) está em um único device (computador), mas controlar-se para se manter presente em uma atividade por vez, trará consciência e produtividade para a sua rotina.

Tenha intervalos entre os calls

Sempre que tiver necessidade de reuniões consecutivas online, promova um intervalo entre elas para garantir que seu corpo e sua mente possam relaxar e se preparar para o encontro seguinte.

Uma opção é definir horários de reunião com “horas quebradas”. Por exemplo, iniciando as reuniões em horários redondos, como por exemplo, 15h e escolhendo como horário de término, 15h50. Ao seguir esse padrão, uma nova reunião poderá surgir às 16h e você terá tempo para levantar, circular, tomar um café ou uma água.

Diminua os estímulos em tela

Procure colocar a tela em um formato que você não se veja tanto. Além de minimizar a autocrítica, você poderá focar melhor no que realmente precisa.

Logo, permita-se às vezes seguir o formato de não “transmitir imagem”, com o objetivo de descansar e poupá-lo um pouco.

Realize encontros sociais por vídeo

O trabalho remoto, acaba mudando a forma como nos relacionamos e os calls costumam ser muito mais objetivos, com as conversas indo direto ao ponto do que deve ser resolvido e pouco se fala da vida pessoal.

Por conta disso, para haver um momento de descontração, sugere-se uma reunião semanal com foco social e de presença não obrigatória, para participar só quem quiser. No caso de muitos participantes, um dos integrantes pode ser nomeado o facilitador do encontro. Essa pessoa pode abrir fazendo uma pergunta e, em seguida, deixar claro em que ordem as pessoas devem falar, para que todos possam ouvir uns dos outros.

Quando possível, substitua a videochamada

Utilize outros meios de comunicação realizando uma ligação, uma troca de áudios ou mensagens escritas por aplicativo de chamada.

O objetivo, nesse caso, novamente é dar uma pausa à mente das constantes chamadas por vídeo. Logo, quando possível peça ou ofereça a troca. Há uma grande possibilidade de, do outro lado, também ter uma pessoa exausta das vídeo-chamadas.

Dado que o trabalho remoto deverá permanecer na vida dos usuários, precisaremos atenuar os dados causados pela fadiga do Zoom, nos âmbitos físico e psicológico. Por conta disso, que medidas você toma como precaução? Há alguma que não foi citada e você gostaria de compartilhar?

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