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Bootstrapping: o que é e como fazer?

O bootstrapping é definido pela realização de um processo sem ajuda externa, mas com etapas de facilitação interna.

O empreendedor que faz bootstrapping usa seus próprios recursos, normalmente escassos e limitados, para iniciar seu negócio. Um exemplo desse conceito, é a pessoa que começa o seu negócio na garagem da sua casa.

Portanto, fazer bootstrapping é o caminho escolhido por aqueles empreendedores que não querem se sujeitar às limitações impostas por um investidor (empréstimo, financiamento, amigos, incentivos, entre outros). 

Fazer bootstrapping é o caminho esperado para o gestor que não quer perder a autonomia sobre seu negócio e prefere começar pequeno e crescer devagar ao invés de ter um rápido crescimento, porém sem controle sobre seu negócio.

COMO FAZER BOOTSTRAPPING?

Parece arriscado de início, mas não é impossível. Empresas como Microsoft e Dell foram criadas pelo conceito de bootstrapping. É bom entender, que não há apenas um caminho, pois existe uma grande autonomia e liberdade no mercado para crescer de forma sustentável.

O investimento acelera, porém sem premissas validadas, pode te afetar negativamente. Portanto, é necessário um grande alinhamento de expectativa de valores e objetivos com os investidores, assim como é com os sócios.

A confiança é algo que precisa ser praticado, portanto segundo o CEO da Sympla, Rodrigo Cartacho, é interessante mandar relatórios mensais e semanais sobre como estão andando as coisas dentro da empresa para seus possíveis investidores.

Mas se ainda assim, houver uma forte vontade de iniciar um empreendimento sem investidores, essa possibilidade existe.

O investimento, e, portanto, o bootstrapping não é um fim, e sim um meio. Veremos então algumas formas de captar recursos e capital para não depender de terceiros.

TRÊS ESTÁGIOS ANTES DE APLICAR BOOTSTRAPPING EM UMA STARTUP

Para aplicar o bootstrapping em uma startup, é necessário ter em mente que existem 3 estágios diferentes antes de se arriscar a fazer algo sem ajuda externa, afim de conseguir alcançar o momento certo para a captação de recursos (sendo o terceiro estágio o momento ideal).

Etapa 1: Problema/Solução

O objetivo desta etapa é encontrar um problema que valha a pena resolver, ou seja, conseguir a solução de um problema. A maneira mais eficiente de fazer isso é construir uma oferta (ou um MVP) e depois testá-la através de entrevistas com clientes. Esta etapa geralmente leva semanas ou alguns meses para ser concluída.

Ser capaz de demonstrar a resolução do problema/solução através de feedbacks de clientes ou conversões de páginas é muito mais confiável do que uma história não testada. No fim, você pode executar uma solução para este problema e conseguir que os clientes lhe paguem.

Etapa 2: Encaixe do produto/mercado

O objetivo desta etapa é construir algo que as pessoas desejam e validar seu modelo de negócios, ou seja, alcançar a adequação ao Produto/Mercado. Este é normalmente o mais difícil e mais incerto dos 3 estágios, pois você está simultaneamente agindo sob o produto e procurando por um modelo de negócios escalável. Esta etapa pode levar meses ou anos para ser percorrida. Muitas startups acabam ficando sem ter como continuar agindo aqui e/ou procuram financiamento externo ou desistem.

Ter construído um produto mínimo viável (MVP) e feito um teste dentro do mercado, certamente o coloca em uma posição muito mais forte para demonstrar sua capacidade de executar e demonstrar tração.

Etapa 3: Escala

Depois de “Produto/Mercado” adequar seu objetivo é a escala. Este é o único momento em que tanto você como os investidores estão alinhados na mesma medida de progresso/crescimento. Agora é o melhor momento para levantar fundos, se você ainda precisar deles (dependendo do objetivo de seu modelo de negócios). Se você tem cobrado dos clientes o tempo todo, você pode descobrir que não precisa de muito capital adicional, o que ironicamente também é o melhor momento para obtê-lo. Todo o dinheiro é investido na otimização de seus motores de crescimento, que é o que os investidores querem ver.

Portanto, ao chegar na escala, o bootstrapping se torna sustentável dentro de uma startup. Para isso, existem algumas formas de investir no seu negócio de maneira autônoma.

COMO TER UMA STARTUP SEM INVESTIMENTO DE TERCEIROS?

Existem diversas formas de se iniciar uma startup sem depender do investimento e capital de outras entidades. São elas:

  • Capital próprio: ter uma renda ou poupança guardada torna-se uma opção viável, desde que haja um bom planejamento para investir e equilibrar as contas pessoais;
  • Empréstimo/ financiamento: é uma opção, mas precisa ser a última delas por conta do prazo e dos juros, corre-se o risco de fazer uma grande dívida e não ter como pagar depois;
  • Crowdfunding: algumas empresas conseguem fazer o negócio funcionar através da ajuda financeira dos próprios clientes;
  • Patrimônio próprio: há também a possibilidade de vender seus próprios bens para conseguir iniciar uma startup, mas o cuidado e a cautela também são muito necessários antes de decidir algo deste tipo.
  • Modelo de negócio alternativo: é possível criar um negócio paralelo que seja capaz de pagar suas contas;
  • Faturamento próprio: este acaba sendo a forma mais saudável de manter seu negócio, pois suas dividas são pagas de acordo com seu faturamento.

Como já dito, é necessária a cautela, mas o bootstrapping funciona e pode transformar sua startup em um grande negócio. Algumas empresas conhecidasmcomeçaram com um investimento próprio e hoje são bem reconhecidas no mercado.

STARTUPS QUE USARAM O BOOTSTRAPING

Alguns grandes nomes do empreendedorismo brasileiro usaram o conceito do bootstrapping, mostrando que se bem planejado, torna-se viável o levantamento de um negócio sem investimento de terceiros.

A Sympla, já citada anteriormente, é um exemplo de empresa que usou o conceito para crescer. Usou até recentemente o faturamento próprio, criando uma maior autonomia para seu desenvolvimento.

A Decora – empresa criada por Alvo do Valle e Pedro Orione, com o fim de realizar imagens virtuais de produtos de decoração para empresas varejistas – foi gerada a partir de uma ideia dentro da universidade estadual de Santa Catarina e sem aporte financeiro, apenas com os recursos dos próprios sócios. Em 2018, a empresa foi vendida por 100 milhões de dólares.

Outro exemplo, é a XTECH idealizada pelo nosso mentor Alfredo Soares. A empresa especializada em ajudar agencias e programadores a vender seu produto seu investir alto, usando também do faturamento próprio para bancar seu crescimento dentro do mercado. Há pouco tempo, a empresa foi vendida por 14 milhões para a VTEX.

Contudo, o planejamento é extremamente necessário antes de assumir o risco do brootstrapping. Porém, é extremamente possível realizar o conceito na prática e conseguir levar sua startup para um outro nível sem precisar de investidores ou de um grande endividamento.