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O que é inovação? Definição, exemplos e mais

Empresas inovadoras conseguem se manter firmes no mercado, e a sua pode ser uma delas, independentemente do porte ou segmento.

Você sabe o que é inovação? Essa é uma pergunta curiosa, pois geralmente temos uma ideia, ainda que abstrata, do conceito de inovação. Porém, quando analisamos a fundo seu significado, percebemos como o termo compreende vários elementos.

A inovação faz parte do nosso cotidiano, em novidades que vão de smartphones tão potentes quanto os computadores a carros autônomos. Porém, muito além disso, inovação também é um componente crucial para empresas que desejam crescer – ou até mesmo se manter relevantes no mercado.

Prova disso é que muitas grandes empresas, algumas líderes em seus segmentos, perderam espaço no mercado justamente porque não inovaram, como a Kodak. Por outro lado, há aquelas que têm a inovação como um de seus pilares e cresceram avassaladoramente, como Google e Facebook, por exemplo.

A necessidade por inovar se mostra também nas estatísticas. Dados disponíveis no portal Statista mostram que os 12 países que mais investem em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D, ou R&D na sigla em inglês) devem investir quase US$ 2 trilhões na área em 2022.

Outra boa notícia é que o Brasil aparece na 10ª posição do ranking, com estimativa de investir US$ 38,15 bilhões em 2021, o que equivale a US$ 104,52 milhões por dia, US$ 4,355 milhões por hora e US$ 72,58 mil por minuto.

Porém, mesmo em meio a cifras tão elevadas, é importante destacar que nem toda inovação envolve tecnologia ou apenas “grandes coisas”, já que, às vezes, pequenas ações são inovadoras e podem transformar o presente e o futuro do seu negócio.

Nos acompanhe na leitura para aprender mais sobre o assunto, dos diferentes tipos de inovação às empresas mais inovadoras do mundo e o que você pode fazer para causar grandes mudanças em seu negócio, preparando-o também para as novas demandas da sociedade.

O que é inovação?

Embora seja algo tão importante, visado por milhares de empresas e que movimenta cifras bilionárias todos os anos, não existe uma definição definitiva (com o perdão do trocadilho), já que o termo pode ser descrito de várias formas diferentes.

Um exemplo claro disso vem do artigo “The Many Definitions of Innovation”, de Eric Shaver, diretor técnico do Human Factors MD. Shaver agregou mais de 60 definições de inovação, o que comprova como seu conceito não é tão específico – o que, inclusive, não é nenhum demérito.

Nós separamos aqui alguns dos conceitos de inovação, que ajudam a entender melhor o que o termo quer dizer. Confira, em tradução livre:

“Inovação é uma mudança que cria uma nova dimensão de desempenho.”

Livro “Leading for Innovation And Organizing for Results

“Inovação é criatividade com um trabalho a fazer.”

John Emmerling, em uma palestra

“Novas ideias que são implementadas para criar valor de negócio.”

Definição da Gartner

“Uma nova ideia, método ou dispositivo. O ato de criar um novo produto ou processo, que inclui a invenção e o trabalho necessários para transformar uma ideia ou conceito em sua forma final.”

Kenneth B. Kahn, no manual “The PDMA Handbook of New Product Development

“Uma nova ideia, método ou dispositivo. / A introdução de algo novo.”

Definição do dicionário Merriam-Webster

“[…] a implementação prática de uma ideia em um novo dispositivo ou processo.”

Melissa A. Schilling, no livro “Strategic Management of Technological Innovation

“Inovação = conceito teórico + invenção técnica + exploração comercial”

Paul Trott, no livro “Innovation Management and New Product Development

“Inovação é a gestão de todas as atividades envolvidas no processo de geração de ideias, desenvolvimento de tecnologias, produção e marketing de um novo (ou melhorado) produto, processo ou equipamento de produção.”

Paul Trott, no livro “Innovation Management and New Product Development

“Inovação é a exploração bem-sucedida de novas ideias.“

Department of Trade & Industry, do Reino Unido.

Há muitas definições, que divergem entre si em relação ao conteúdo e à abordagem, mas podemos resumir que inovação consiste no uso da criatividade para a geração de novas ideias e a consequente geração de valor de negócios.

Quais são os 4 tipos de inovação?

Inovar é uma necessidade para quem deseja se manter relevante no mercado, e uma boa notícia é que isso pode ser feito de variadas formas, já que existem diferentes tipos de inovação.

O conceito geral é de que existem quatro tipos de inovação, o que inclusive é corroborado por este artigo no site da Harvard Business Review (HBR), de autoria de Gary P. Pisano, economista americano e professor de administração de negócios da Harvard Business School.

Inclusive, Pisano compartilha uma citação muito interessante em seu artigo:

“Certamente, a inovação tecnológica é uma enorme criadora de valor econômico e um motor de vantagem competitiva. Porém, algumas inovações importantes podem ter pouco a ver com novas tecnologias.”

Isso é muito interessante e pode, inclusive, pegar muitas pessoas de surpresa. Afinal, é comum associar a inovação à tecnologia, mas embora elas coexistam, não são interdependentes.

Pisano continua e deixa um exemplo bem claro:

“Dessa forma, pensando sobre oportunidades de inovação, as empresas têm a escolha sobre quanto de seus esforços será focado na inovação tecnológica e quanto será investido em inovação do modelo de negócios.”

Pisano ainda comenta que uma forma que ajuda a pensar nisso é mostrada na exposição “The Innovation Landscape Map”, baseada em suas pesquisas e também nas de outros estudiosos, como William Abernathy, Kim Clark, Clayton Christensen, Rebecca Henderson e Michael Tushman.

Este mapa caracteriza a inovação ao longo de duas dimensões:

  • O grau em que isso envolve uma mudança na tecnologia;
  • O grau em que isso envolve uma mudança no modelo de negócios.

Embora cada dimensão exista em um continuum, ou seja, é possível passar por elas continuamente, sem interrupções, juntas elas formam quatro quadrantes (ou categorias) de inovação. Confira:

Conheça mais sobre cada um dos quatro tipos de inovação:

Inovação incremental

A inovação incremental se baseia nas competências tecnológicas já existentes na empresa e combina com o seu modelo de negócios existente – e, portanto, sua base de clientes. Este é o tipo mais comum de inovação.

Um bom exemplo de inovação incremental vem da Intel, que lança constantemente microprocessadores mais potentes que as versões anteriores, permitindo que a empresa mantenha uma ótima margem de mercado e continue crescendo com o passar do tempo.

Outros exemplos são as novas versões do Windows e do iPhone, que se baseiam em produtos e serviços já existentes, mas passam a agregar novos recursos e funcionalidades e, por isso, entregam valor aos usuários.

Exemplos de inovação incremental

  • Um novo modelo da Série 3 para a BMW;
  • Um novo fundo de índice para a Vanguard;
  • Uma nova animação em 3D para a Pixar.

Inovação disruptiva

O termo inovação disruptiva, cunhado por Clayton M. Christensen e que já foi muito bem explicado em um artigo da HBR, requer um novo modelo de negócios, mas não necessariamente uma revolução tecnológica.

Por este motivo, o modelo também desafia (ou causa uma disrupção) nos modelos de negócios de outras empresas para além daquela que decidiu inovar.

Um exemplo de inovação disruptiva é o Android, sistema operacional do Google para dispositivos móveis, que potencialmente causa uma disrupção em empresas como Apple e Microsoft.

Isso não acontece devido a grandes diferenças técnicas, mas sim por conta do modelo de negócios: o Android é gratuito, enquanto os sistemas da Apple e da Microsoft não são.

Exemplos de inovação disruptiva

  • Um software de código aberto (open source) para empresas de software;
  • Vídeo sob demanda para serviços de locação de DVDs;
  • Serviços de compartilhamento de caronas para empresas de táxi e limusine.

Inovação radical

A inovação radical é o completo oposto da inovação disruptiva, já que o desafio aqui é puramente tecnológico.

Um exemplo de inovação radical é o surgimento da engenharia genética e da biotecnologia nas décadas de 1970 e 1980 como uma abordagem para o desenvolvimento de novos remédios.

Indústrias farmacêuticas já estabelecidas, com décadas de experiência em remédios sintetizados quimicamente, se depararam com um grande obstáculo, que era construir as competências de biologia molecular.

Porém, ainda assim, os medicamentos derivados da tecnologia tiveram um bom fit com os modelos de negócio das empresas, que precisaram de grandes investimentos em R&D, os quais foram financiados por alguns poucos produtos que traziam uma ampla margem de lucro.

Exemplos de inovação radical

  • Biotecnologia para indústrias farmacêuticas;
  • Motores a jato para fabricantes de aeronaves;
  • Cabeamento de fibra ótica para empresas de telecomunicações.

Inovação arquitetural

Por fim, a inovação arquitetural combina disrupções tecnológicas e de modelo de negócios, e um bom exemplo vem da fotografia digital.

Para empresas como Kodak e Polaroid, entrar no mundo digital significava a necessidade de dominar competências totalmente diferentes em eletrônicos, design de câmeras, software e tecnologia de telas, por exemplo.

Além disso, a necessidade também demandava encontrar uma forma de lucrar com a venda de câmeras ao invés de itens “descartáveis”, como filmes fotográficos, papel fotográfico e reveladores radiográficos (o produto químico usado para revelar as fotos).

Como fica claro, a inovação arquitetural é a mais difícil de ser alcançada, já que demanda uma transformação completa, muito mais intensa que as outras mencionadas.

Exemplos de inovação arquitetural

  • Medicamentos personalizados para indústrias farmacêuticas;
  • Fotografia digital para Polaroid e Kodak;
  • Pesquisas na internet para jornais.

Leia também: O que é gestão? Conheça as principais metodologias e mais

Como inovar em meu negócio?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, mas que deve ser encarada por qualquer gestor, diretor ou empreendedor que deseja se manter em destaque no mercado, independentemente de qual seja seu porte ou segmento.

Uma frase pode parecer forte demais – e é, de fato –, mas sintetiza bem a ideia que queremos transmitir aqui:

“Inove ou morra.”

De acordo com outro artigo da HBR, do editor-chefe Adi Ignatius, a origem dessa frase é assunto de uma disputa. Peter Drucker, o pai da administração moderna, declarou a frase, mas outras pessoas também dizem ser as responsáveis por sua criação.

Independentemente de quem tenha sido responsável por resumir em apenas três palavras a importância do conceito de inovação, sua aplicação é vital para quem não somente quer chegar ao topo como também se manter ali, casos de empresas como Google e Apple, por exemplo.

Um material produzido pela HBR em um artigo previamente mencionado aqui, de Gary Pisano, trouxe as inovações revolucionárias colocadas em prática pela Corning, uma das líderes mundiais de inovação em ciência dos materiais e com ampla experiência em vidros.

Confira alguns dos principais produtos já lançados pela empresa ao longo de mais de 160 anos:

  • 1879: invólucro de vidro para as lâmpadas de Thomas Edison
  • 1912: vidro para lanternas de ferrovias capazes de resistir a mudanças extremas de temperatura
  • 1915: vidro Pyrex, resistente ao calor, para utensílios de cozinha e equipamentos para laboratórios
  • 1926: máquina de fitas para a produção em massa de lâmpadas
  • 1932: sílica fundida de alta pureza, a base de outras inovações da Corning, como espelhos telescópicos e fibra ótica
  • 1934: silicones, uma classe de materiais que resultou do cruzamento do vidro com o plástico
  • 1947: processo para produção em massa de tubos de imagem de televisão
  • 1952: material vidro-cerâmico resistente ao calor e a impactos, usado em utensílios de cozinha da Corning Ware e nos cones do nariz dos mísseis
  • 1964: desenvolvimento do fusion overflow process, processo para a produção de vidro plano
  • 1970: fibra óptica de baixa perda usada em redes de telecomunicação
  • 1972: substratos de cerâmica celulares usados em conversores catalíticos de automóveis e, atualmente, em motores a diesel
  • 1982: vidro para tela de cristal líquido (LCD) de matriz ativa para displays de tela plana de alta qualidade
  • 2007: Gorilla Glass: vidro fino e muito leve, com excepcional resistência para smartphones, tablets e outros eletrônicos voltados ao consumidor final
  • 2012: vidro ultrafino, flexível e muito leve para eletrônicos voltados ao consumidor final e a aplicações de design e arquitetura

A Corning é um claro exemplo de inovação. Mesmo com mais de um século e meio de existência, ela se mantém como líder em seu segmento, sendo responsável pela fabricação do Gorilla Glass que aparece em vários smartphones – mas a mesma empresa fabricou o invólucro de vidro das lâmpadas de Thomas Edison.

Isso, inclusive, tem tudo a ver com a opinião de Tallis Gomes, co-fundador do Gestão 4.0, da Easy Taxi e da Singu. Tallis compartilhou três lições que ele aprendeu ao longo de sua jornada para ser um CEO capaz de renovar constantemente o seu negócio.

O conteúdo está disponível em um episódio da coluna em vídeo “Gestão 4.0: Empreendedorismo com Tallis Gomes”, e diz o seguinte:

“Fomentar investimento em novas soluções, fomentar o colaborador para criar novos negócios e sempre estar olhando para fora.”

O próprio Tallis tem outra frase de efeito, mencionada na mesma coluna, que diz o seguinte:

“A função mais importante do CEO é pensar em como criar a empresa que vai destruir o seu negócio atual.”

Isso fica claro quando olhamos o que aconteceu com a Kodak e com a Blockbuster, por exemplo. Se elas tivessem pensado em como destruir seus negócios atuais, inovando para estar de acordo com as últimas demandas do mercado, provavelmente não teriam encarado uma realidade tão cruel.

Empresas inovadoras: quais mais inovam no mundo?

Além dos exemplos que citamos anteriormente, pode ser que você esteja em busca de algo mais recente, que mostre como, de fato, a compreensão do que é inovação ajudou os negócios a se destacarem no mercado.

Neste sentido, podemos destacar duas referências de muita autoridade e relevância no mercado: o BCG e a Fast Company.

Ambas empresas fizeram um estudo das companhias mais inovadoras de 2021. Os resultados variam bastante de acordo com cada uma, já que o conceito de inovação também é bastante amplo, mas não podemos negar que todas as empresas selecionadas, de fato, inovaram bastante.

Confira as listas:

Empresas mais inovadoras de 2021 para o BCG

De acordo com o Boston Consulting Group, as 10 empresas mais inovadoras de 2021 foram as seguintes:

  1. Apple
  2. Alphabet
  3. Amazon
  4. Microsoft
  5. Tesla
  6. Samsung
  7. IBM
  8. Huawei
  9. Sony
  10. Pfizer

Já de acordo com a Fast Company, o ranking foi composto pelas seguintes empresas:

  1. Moderna
  2. Pfizer-BioNTech
  3. Shopify
  4. SpaceX
  5. SpringHill Company
  6. Epic Games
  7. Netflix
  8. Tock
  9. Microsoft
  10. Graphika

Como podemos ver, a lista da Fast Company sofreu uma maior influência da pandemia e das empresas que atuaram diretamente na produção das vacinas, entre outras que também tiveram uma participação importante durante este momento.

Apenas duas empresas apareceram entre as primeiras colocadas na lista: a Microsoft e a Pfizer (apenas Pfizer para a BCG e Pfizer-BioNTech para a Fast Company).

As páginas mencionadas trazem maiores informações sobre as escolhas, bem como o que levou as empresas a escolherem este seleto grupo de companhias. Por isso, vale a pena acompanhar os motivos por trás disso, de modo a ver como investir em inovação realmente compensa no cenário competitivo.

Leia também: O que é Growth Hacking? Definição, exemplos e mais

Conceito de inovação: uma meta a ser seguida para qualquer negócio

No início do artigo, trouxemos à tona a pergunta “você sabe o que é inovação?”. Se a definição de inovação parecia ser um pouco nebulosa, esperamos que as coisas estejam mais claras em sua mente agora, depois de aprender tantas definições e exemplos.

Além disso, saber quais são os tipos de inovação é ótimo para desmistificar o pensamento de que toda proposta inovadora precisa estar diretamente ligada com a tecnologia, o que não é verdade.

De fato, a tecnologia é muito importante. Prova disso é a necessidade da transformação digital, que ficou ainda mais latente com a chegada da pandemia, forçando um movimento que já despontava, mas precisou ser colocado em prática com urgência para tentar minimizar os impactos negativos.

Porém, mudanças no modelo de gestão também são indispensáveis. Prova disso são os exemplos da Kodak e da Polaroid, em que apenas a inovação radical não bastava: era preciso adotar a inovação arquitetural, que também envolve o conceito de inovação disruptiva.

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