Autodesenvolvimento

Saúde mental: o que é e como lidar com as patologias no ambiente de trabalho

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde mental está diretamente relacionada à funcionalidade de todas as capacidades e habilidades do indivíduo dentro da sociedade e do cotidiano.

saude mental trabalho

Muitas pessoas ainda associam a saúde mental à doença mental, porém a saúde mental envolve muito mais do que a falta de doenças mentais. Quem é mentalmente saudável, consegue vivenciar uma série de emoções diárias (como alegria, tristeza, frustração e etc) sem prejudicar de grande forma a sua vida profissional e pessoal. 

Além disso, essas pessoas são capazes de enfrentar as dificuldades cotidianas com grande equilíbrio. Portanto, a saúde mental de uma pessoa está ligada à forma como ela reage às exigências da vida. 

E, pertencendo a um mercado de trabalho que está cada vez mais exigente e competitivo, as pressões sempre acabam aumentando. Ser estável em sua carreira muitas vezes é sinônimo de estresse e ansiedade. Essa realidade faz com que a manutenção da saúde mental torne-se extremamente importante no âmbito do trabalho.

Ainda trazendo dados da OMS, o seu artigo nos traz um dado alarmante: a organização previu a estimativa aproximada de que a principal causa de incapacidade em 2020 seriam os transtornos mentais mais comuns e nos traz a informação que estes já acometem 30% dos trabalhadores ocupados.

De forma objetiva, é preciso então que estejamos atentos aos sinais dos colaboradores, pois esse assunto é de extrema urgência  e corremos o risco de perder grandes talentos por motivos que poderiam ser evitados.

Para elaborar, a pesquisa feita pelo psiquiatra Michael Freeman nos mostra que 50% dos colaboradores correm o risco de desenvolver uma defasagem na saúde emocional, com probabilidade maior de serem os seguintes transtornos:

  • 2x mais probabilidade de sofrerem de depressão
  • 2x mais probabilidade de serem internados
  • 2x mais probabilidade terem pensamentos suicidas
  • 3x mais probabilidade de sofrerem do abuso de substâncias
  • 10x mais probabilidade sofrerem de transtorno bipolar

É importante trazer esses dados, mesmo que assustadores, de forma a elucidar sobre a crise da saúde mental que tem ocorrido dentro das empresas, principalmente com o advento da COVID-19 que piorou de forma drástica os quadros. A pesquisa da TechCrunch nos mostra de forma bem clara que os CEOs e líderes devem estar aptos para fazerem os colaboradores se sentirem acolhidos e equilibrados.

Leia também: Home office: como evitar o burnout frente à pandemia.

Dados importantes

Já trouxemos alguns dados com o objetivo de demonstrar diversas visões sobre esse assunto; Neste tópico separamos mais alguns dados sobre saúde mental no trabalho, que são de importância muito relevante e que valem a pena dar uma conferida.

Em complemento ao que já foi trazido, a OMS ainda divulgou mais números preocupantes em relação à saúde mental. A organização revela em sua pesquisa que as patologias mentais causam uma perda na produtividade afetando, assim, os dias trabalhados. Os casos graves chegam a perder 200 dias de trabalho por ano.

Os dados também revelam que atualmente mais de 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão e mais de 260 milhões sofrem com o transtorno de ansiedade. E grande parte desses números vive com os dois transtornos. A OMS estimou que apenas esses dois transtornos causam um prejuízo de 1 trilhão de dólares em perda de produtividade ao redor de todo o mundo.

Conforme relatórios da Mental Health America, antes da pandemia as condições de saúde mental dos adultos já estavam em crise e, com sua intensificação para o home office, houve uma maior flexibilidade ao mesmo tempo que houve uma intensificação na carga de trabalho. 

Foi mostrado que 60% das pessoas pesquisadas com depressão, não recebem qualquer tipo de tratamento e que apenas de 1 a 3 pessoas realmente vão atrás de tratar os transtornos. Além disso, o relatório também mostra que houve um crescimento de 15% nas tentativas de suicídio entre 2019 e 2020 nos Estados Unidos.

Saúde mental na pandemia

Como vimos anteriormente, a chegada da COVID-19 e do isolamento social piorou drasticamente a situação do colaborador. Durante a transição do trabalho nos escritórios para o trabalho remoto, acreditava-se que as atividades poderiam tornar-se mais leves. 

No entanto, a realidade demonstrou o contrário. É o que apontam cinco estudos de Harvard, feitos com aproximadamente 2 mil pessoas de países diferentes. As pesquisas mostram que houve um aumento de sobrecarga, ao unir atividades domésticas, familiares e profissionais, além de uma flexibilização não saudável de horários, deixando indivíduos antenados com o trabalho em horários não comerciais.

Na prática, torna-se claro que a rotina ficou mais bagunçada, se comparada à época do trabalho no escritório. Assim, mistura-se o horário de trabalho com a soneca das crianças e o passeio dos cachorros, muitas vezes gerando ineficiência na jornada diária e fazendo com que os profissionais estendam o horário de trabalho para compensar.

Leia também: Como controlar a ansiedade: um obstáculo inconveniente

Portanto, torna-se entendível que aquilo que estava acontecendo de grave antes da pandemia, obteve maior visibilidade, fazendo com que os problemas fossem legitimados. E isso só exige uma resposta rápida das organizações sobre como o trabalho afeta a saúde mental em um ambiente de crise. Um estudo da Gallup comprova isso com a demonstração de que o bem-estar do colaborador impacta diretamente a produtividade da equipe.

O trabalho, por si só, pode ser ótimo para a saúde mental. Mas este sendo um local ruim e um ambiente negativo, pode trazer diversas complicações e prejuízos para os empreendedores. Diversos fatores, além da pandemia e do home office, podem piorar a relação empregado-líder.

Como foi dito no nosso artigo citado acima sobre burnout e home office, os dois estão muito ligados pelo excesso de sobrecarga dentro e fora do âmbito pessoal que acabam se misturando em um mesmo local. Para tanto, é preciso que seja incentivado ao próprio colaborador uma forma eficiente de gerir seu tempo.

Gestão de tempo

Este é um ponto-chave para que consiga auxiliar seu colaborador. Ofereça suporte emocional e dicas valiosas de como ele pode gerir melhor o seu tempo dentro do modelo home office, híbrido ou presencial.

Para tanto, é necessário que primeiro identifique-se o problema, sendo percebido a alteração de humor e de comportamento do funcionário. A pessoa começa a perder produtividade, fica mais quieta ou agressiva e tenta evitar interações sociais.

Lembre-se sempre que, além das cobranças externas, existem as cobranças internas e que é preciso exercer a empatia para diferenciar que a pessoa ao invés de estar sendo negligente com a sua função, na realidade ela está cheia de outras demandas e com uma grande sobrecarga e dificuldade de ajustar sua rotina.

Uma pesquisa realizada pela Robert Half que com a inclusão do trabalho remoto, 52% dos entrevistados tem sentido que estão trabalhando bem mais. Portanto, não adianta mandar mais demandas acreditando que o colaborador dará conta, esteja sempre atento a isso.

Leia também: Gestao de tempo: otimizar a vida profissional e o pessoal

Essa dica serve para as formas tanto remotas quanto presenciais de trabalho, a vida pessoal interfere bastante na vida profissional, principalmente quando não estamos organizados dentro da rotina. Auxilie seu colaborador a criar uma rotina e, também, a segui-la de forma adequada, principalmente através de exemplos ou com controles por aplicativos e afins.

Como fazer gestão emocional

Foi publicado recentemente um guia pelo Fórum Econômico Mundial sugere para a inserção da gestão emocional três formas de abordar:

  • Proteger a saúde mental reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho;
  • Promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos de trabalho e as habilidades dos empregados;
  • Enfrentar casos de problemas de saúde mental independentemente da causa.

Seguindo também as estratégias da OMS, ela traz a ideia de que as organizações têm total responsabilidade em apoiar os indivíduos com transtornos mentais dentro do ambiente de trabalho.

O estigma existente em relação aos transtornos mentais pode dificultar o apoio que os colaboradores precisam receber, fazendo com que sejam incapazes de pedir ajuda, fazer as tarefas necessárias ou até mesmo retornar ao trabalho. Pontuaremos, então, algumas medidas eficazes para prestar amparo.

Comunicação

A comunicação e o diálogo transparentes são imprescindíveis, tanto do colaborador quanto do líder, pois na falta desta, a resolução de problemas torna-se mais dificultosa. Além disso, ajuda o profissional a não se sentir sozinho, principalmente no trabalho remoto.

Sempre que possível, marque uma 1:1 para manter a aproximação e deixar o funcionário alinhado às tarefas, acontecimentos novos e projetos.

Empatia

Como já dito anteriormente, a empatia é fundamental para compreender o problema do outro e o lugar em que ele se encontra. É preciso entender que as pessoas tem dificuldades e limitações diferentes.

A escuta-ativa é de grande valia quando o assunto é empatia, pois há uma absorção diferente daquela situação. Pesquise sobre os transtornos que seus colaboradores apresentam, entenda suas fases e dê suporte quando necessário. Perder um bom colaborador por falta de apoio é um dos piores erros que um líder pode cometer. Lembre-se que transtornos mentais são doenças como quaisquer outras.

Horários

Estabeleça os horários corretamente e faça de tudo para que o funcionário os cumpra, respeitando as horas de lazer e descanso. Talvez isso não ocorra em empresas tradicionais, mas pode ser mais comum em startups ou mesmo no home office. 

Lembre-se que não é porque a pessoa está em home office que ela deva cumprir aquele horário que ela usava para o deslocamento com trabalho. Organize a agenda coletivamente e respeite o horário de trabalho dos indivíduos também.

Os dias de folga devem ser respeitados, assim como os horários que servem para a “pausa” dentro do local físico de trabalho.

Por fim, é importante saber que as questões emocionais e os transtornos emocionais são tão incômodos para o líder quanto para o funcionário. A saúde mental é assunto sério e deve ser tratada de forma que os problemas não se agravem.

Respeitar o ritmo dos profissionais é um processo importante para que não ocorra um burnout ou uma demissão que poderia ser evitada.